quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Regras de trânsito

Depois de tempos morando em Santo André e trampando em São Paulo, tenho certa autoridade para observar algumas regras que transcendem as leis de trânsito. Confiram:

- Todo motorista de Pólo (como fica o nome do carro com a nova lei ortográfica?), Golf e Prisma são folgados;

- Todo condutor de boné se acha o dono da rua;

- Dá mais status dirigir um Fusca do que um Tuscon ou afins;

- Espertinhos conseguem passar na frente, mas 100m depois estão ao seu lado;

- A preferencial é sempre do motoqueiro. Por isso eles tem (sem acento, já adaptado) direito de chutar o retrovisor de quem se aventurar a trocar de faixa;

- Por alguma estranha razão, tem sempre um motoqueiro morto no seu caminho, ou próximo dele. E me absterei de fazer comentários sobre este tópico;

- Não adianta acender os faróis de manhã, como recomendado pela CET para melhorar sua visibilidade. Alguém sempre irá lhe avisar, achando que você está dirigindo desde a madrugada, e você terá que desligá-los para parecer simpático;

- CET nunca pune quem xinga sem razão, cola na sua bunda pra ultrapassar ou joga lixo pela janela, mas ai de quem passar a 51 km/h, num radar de 40 km/h;

- Fila dupla na frente de pizzaria ou escola é exceção à regra. Pode sempre.

Agora, tenho que ir. Meu carro tá parado na rua ao lado do bar e algumas pessoas estão sentadas confortavelmente no capô, tomando uma “breja” (tema para meu próximo post). Vou ficando por aqui, mas aceito contribuições.



Coca

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Beijo da Despedida

Essa não poderia passar em branco:

Toma essa seu cachorro!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Estatística

Estatística: a arte de enganar as pessoas com números.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Maradona x Dunga

E Maradona assume finalmente a direção da seleção argentina de futebol.

Muita gente tem criticado, dizendo que é o mesmo erro que a CBF cometeu ao entregar pro Dunga o cargo na seleção canarinho. Talvez, mas a verdade é que ver Dieguito de volta a ativa será ótimo! Num mundo futebolístico cada vez mais sem sal o pibe de ouro chega como um tempero bem apimentado e promete trazer muito interesse e emoção por onde passar com sua equipe.

Só o fato de Maradona ter sido uns dos maiores jogadores da história do esporte bretão (pros hermanos o melhor) e de Dunga ter sido, no máximo, um jogador mediano, que por circunstâncias bem específicas e uma boa dose de sorte ter ganhado uma Copa do Mundo, já coloca muralhas diferenciais intransponíveis entre os dois. Além disso, Dunga, no cargo de técnico, é apenas mais um macaquinho amestrado com cara de mau da CBF e de Ricardo Teixeira, repetindo um discursinho ensaiado e previsível. Já Diego, como já lhe é peculiar, deverá dar muita matéria para jornais com entrevistas bombásticas e polêmicas, não se omitindo a dar suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, de dentro e de fora da cancha desportiva.

Dunga é o almofadinha, o CDF da sala que faz de tudo pelo reconhecimento do professor, o puxa-saco do chefe que morre por um sorriso benevolente sonhando com uma promoção futura. Diego é o garoto encrenca, o moleque que cabula as aulas pra bater uma bolinha, o camarada certo na mesa do boteco falando bobagens ou afogando as mágoas. Maradona é o ídolo humanizado, como os deuses da tradição helênica, o que o traz para perto de nós, fazendo-nos admirá-lo mais e mais. Ao contrário, por exemplo, de nosso ídolo Pelé, que faz de tudo para manter uma áurea de virtuosidade que todos sabemos que ninguém suficientemente humano tem. Assim, cada incidente que o envolve traz consigo um escândalo manchando sua imagem de bom moço, aumentando a dor e o luto de suas viúvas que ainda guardam na memória os gols de anjo e os socos no ar.

Enfim, Maradona pode até não acabar se saindo bem como técnico, mas fará um bem, ou ainda, um favor enorme ao futebol, tão carente de figuras interessantes como ele.

Urubú

domingo, 26 de outubro de 2008

Pensamento da semana (ou dos próximos 4 anos)

O povo escolheu: São Paulo nas mãos do DEMo.

E seja o que deus quiser!


Urubú

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Maravilhas irritantes: um elogio a maledicência

Estava aqui pensando: como é bom que as coisas as quais odeio existam!

Sim, é verdade! Parece paradoxal? Incoerente? Não sei. Também achava, mas talvez não seja tanto.

Já reparam quanto tempo as pessoas perdem falando mal das coisas e, principalmente, das outras pessoas? Você mesmo, já fez uma auto-avaliação quanto a isso? Fiz um exercício desse tipo e vi que uso boa parte do meu tempo falando mal dos outros ou das coisas. Mas o mais interessante é que cheguei à conclusão que isso faz um bem danado. Alivia o stress, aguça o humor (mesmo que sarcástico), desfaz as tensões internas e o que é mais importante: dá muito papo nos botecos desse mundão de meu deus.

Você já parou pra pensar quanto tempo da sua vida você já dedicou criticando aquele cantor sertanejo ou descendo a lenha naquele funkeiro lazarento? Ou ainda maldizendo aquele mala pseudo-intelectual puxa-saco da sua sala que quer mostrar pro professor que está inteirado no assunto? Eu mesmo já esvaziei tulipas e tulipas de chopp descascando a sem graça da Ivete Sangalo e metendo o pau no irritantemente arrogante Arnaldo Jabor. Isso faz um bem danado! Imaginem se fossemos meter a mão na cara de todos os que não gostamos. O mundo seria infernal. Assim, nós aliviamos nossas raivas e descarregamos nossas pressões internas através desse ato de maldizer, que no fim é uma atividade social. Daria um estudo sociológico, hein: A maledicência como fator de interação social.

Mas é bom deixar claro que, apesar de ser ótimo maldizer as pessoas, deve-se sempre manter a boa educação e a elegância. Como nos ensina o mestre Ariano Suassuna, ao contrário do que nos diz o senso comum sobre a dignidade das atitudes, não é de bom tom falar mal das pessoas na cara. Afinal, não custa nada deixar ela virar as costas para dizer o que realmente pensa dela.

Enfim, hoje é dia de contradição. Não vou falar mal dos sertanojos, dos axezeiros, dos Arnaldos Jabores ou dos Humberto Gessingers da vida. Ao contrário, saudarei e brindarei suas existências. É graças a essas criaturas que minha vida tem mais graça e o papo botequeiro fica mais animado. Salve tais maravilhas irritantes!


Urubú

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Enfim uma boêmia!

É com imenso prazer que apresento nossa primeira colaboradora: Coca.
Como ela mesma diz no texto que segue, chegou para dar um toque feminino e de bom gosto ao blog, que hoje é tomado pelas tosqueiras e bobagens minhas e do 3M.
E sem mais delongas vamos ao texto de estréia da mais nova boêmia maldita.


Urubú

Odeio Surpresas

Sim, é verdade. Numa mesa de bar, vira e mexe cai nesse assunto. E sou sempre reprimida. Vou explicar.

O seu aniversário chega e você fica toda animada. Afinal, é péssimo se sentir mais velha, mas isso é compensado pelo carinho dos amigos. Mas eis que passa 10h, 11h, meio-dia e ninguém te deu sinal de vida. Você começa a ficar chateada. Daí toca o telefone e é engano. Toca outra vez e finalmente é alguém que se lembrou – aquela tia-avó do interior que nunca falha. Às 19h, você chega em casa chorando, deprimida, afinal passou o dia todo se lamentando e... TCHANAN todos estão lá. Você finalmente solta um sorriso, porém discreto, afinal o seu dia de aniversário foi um lixo. E ainda tem que agradecer, para que as pessoas não se sintam desvalorizadas. Valeu à pena?

Eu já passei por uma experiência frustrante. Depois de ficar 6 meses no exterior, iria voltar ao Brasil. Avisei amigos e familiares, mas todos responderam meus e-mails alegando que, infelizmente, não iriam me buscar. Fiquei péssima. Liguei pro meu pai para desabafar e, ao perceber que eu estava mal, acabou me revelando a surpresa. Ufa!

Cheguei dias depois do meu aniversário e todos estão me esperando. Logo na sexta-feira seguinte estava convidada para uma festa surpresa de uma amiga. Ao chegar ao local, estava tudo apagado. Achei que iam me confundir com a aniversariante. Quando as luzes se acenderam descobri que a aniversariante era eu! Adorei!!! Realmente aquilo não passou pela minha cabeça. Aí sim, foi uma surpresa-nata (e aí, como fica esse hífen com as novas regras da língua portuguesa?) e dessa eu sou a favor.

Gosto apenas de surpresas quando não se espera nada. Aí, se não vier, nenhuma esperança será perdida. Mas nada de maridos que esperam até 20h para dar os parabéns pessoalmente, amigos que se fazem de desentendidos, ou amantes que deixam um bilhetinho na sua bolsa e quem acha é o seu namorado.

Chega de papo. Espero ter sido compreendida em meio a essa gente bêbada tentando filosofar. E pode fechar a conta, por favor!


Coca (ou 4M - Mina do 3M)

Ps. Não, eu não tenho amante.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Uma cerveja para as eleições 2008

Caros amigos, butequeiros ou não, estou de volta!!!!! Neste tempo agradeço o meu eterno amigo Urubú por manter o Blog na minha ausência em um retiro espiritual.

Há algum tempo, tenho pensado em algum tema para agregar ao nosso Blog, sempre fiel às polêmicas, correta e incorretamente certas.

Pensei, pensei, pensei e não precisei procurar tanto. Quem nunca acordou pela manhã de ressaca e, por infelicidade, ligou o rádio no momento do horário político eleitoral? Pior ressaca não existe! Nem mesmo o remédio repressor das idéias pré-ressaca, o Engov, consegue vencer o mal.

Felizmente, escutar 10 segundos de promessas e mentiras virou inspiração para este texto (tão cobrado pelo meu amigo Urubú).

Comecei a perceber que os nossos candidatos a prefeitos parecem muito com as nossas famosas cervejas vendidas na rua Augusta entre inferninhos e boates (no Rio de Janeiro, boate é uma Balada, para nós é uma casa de Cariocas! Maldade). Vou citar em tópicos os motivos para a minha descoberta (uma leitora ou (e)leitora mencionou que adorava os meus itens), vamos lá:

Brahma = Kassab

  • Muda de lado, igual ao Zeca Pagodinho;
  • Nada mais Terrível que as marchinhas eleitorais criticando a Marta, igual aos pagodes de Zeca (até a música do Eimael é melhor);
  • Zeca-feira e o dia de bebermos e Kassab-feira e todos os dias no trânsito.

Kaiser = Maluf

  • Propaganda enganosa;
  • Sempre vem super-faturado (o valor da cerveja deveria ser R$ 0,10, mas com a negociação do Maluf, o valor chega a R$ 3,00);
  • O Pitta deve gostar de Kaiser;
  • Quando não há mais nenhuma cerveja no bar, apelamos para a Kaiser. Igual ao Maluf, que quando não há mais nenhum candidato no partido, ele aparece;
  • Dor de cabeça após o último gole ou após o último voto elegendo o Sr. Paulo Maluf.

Antártica = Marta

  • Deveria não existir mais devido a Brahma, igual a Marta que não deveria existir devido não ter mais sentido usar o sobrenome Suplicy;
  • Assim como a sexóloga Marta, a Antártica incentiva verificar as nossas partes baixas toda hora no banheiro para esvaziarmos o joelho;
  • Ficou quatro anos na minha geladeira e acabamos esquecendo aquela latinha. A Marta também ficou quatro anos e tentamos todos os dias esquecer este período.

Sol = Serra

  • Os dois começam com a letra “S”;
  • Um é uma cópia mal feita do Covas, o outro, é uma cópia mal feita da Skol;
  • Tentam de todas as maneiras aparecer em qualquer geladeira, eleição (vale até a do seu clube de bairro), casamentos, comícios etc.

Ok, vimos que a ressaca será geral no final do ano, mas até lá: “- Garçom traga a última gelada que os tempos sombrios estão voltando!!!!!”




3M

domingo, 21 de setembro de 2008

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Pensamento da semana

Muitas vezes, de onde você menos espera, é que não vem nada que presta mesmo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Coisas de Dercy

"Eu não falo palavrão, eu falo os apelidos que as pessoas dão para as coisas." (Dercy Gonçalves)

* em entrevista concedida a Paulo César Pereio, no programa Sem Frescura do Canal Brasil.

domingo, 3 de agosto de 2008

Meu tempo é hoje?

Ah, que saudade da boemia de outrora!

Saudade? Nostalgia? Mas será possível se nem vivi esse tempo?

Saudade. 1. Lembrança nostágica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las. 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido. (Dicionário Aurélio)

Tive hoje a oportunidade de rever o filme documentário Paulinho da Viola - Meu tempo é hoje e deleitar-me com essa belíssima produção cinematográfica que tem como protagonista esse personagem fantástico e lendário da música brasileira.



Meu tempo é hoje é mais do que um documentário sobre um grande artista, é antes de mais nada um exercício de reflexão sobre temas que, embora sutis, estão escrustados em nossas vidas e dos quais não podemos nos desvencilhar. Esses temas são o tempo, sua passagem e a relação que temos com ele, e a saudade, que pode ser considerado um desdobramento, ou uma conseqüência, dessa passagem do tempo.

O filme já começa com a indagação do que é a saudade, com Paulinho da Viola conversando com um livreiro no centro do Rio de Janeiro. Esse comenta com Paulinho que sente saudades de coisas que não viveu, como quando ouve canções que não são de sua época, e Paulinho o contrapõe explicando-lhe que o que sente não é saudade e que ele está confundindo os sentimentos. Desse modo o filme se desenvolve mostrando histórias e músicas do compositor, sempre contextualizando-as na relação dele com o tempo e a saudade.

O autor de Sinal Fechado diz não sentir saudades, pois as coisas do passado vivem dentro dele, no presente. Paulinho dá o exemplo da canção Carinhoso, de Pixinguinha, que, composta de 1917, atravessou o século XX e hoje, em pleno século XXI, está presente no imaginário dos brasileiros, viva assim nas memórias. E realmente Carinhoso é um fenômeno, só hoje a vi citada, mesmo que jocosamente, como não poderia deixar de ser, em uma entrevista com Dercy Gonçalves e também no filme do Paulinho, e, outro dia, em um show do violonista Yamandú Costa no Teatro Municipal de São Paulo, bastaram dois ou três acordes para a platéia reconhecê-la e cantá-la, de cabo a rabo, emocionada.



Em determinado aspecto dou razão a ele, mas existem coisas que vivi e gostaria de viver novamente, por mais que saiba que nunca seria como a primeira vez, pelo simples fato dos momentos serem únicos. Existem ainda coisas que não vivi, não tenho nem condições de saber exatamente como eram, mas tenho uma vontade arrebatadora de as ter vivido, como o tempo dessa boemia carioca de outrora, retratada em tantos sambas e histórias, vendo o tema por esse lado fico com a sensação do livreiro carioca, afinal tenho sinto essa nostalgia de um tempo não vivido. Pode parecer piegas, mas o botequeiro que nunca teve dessas pieguices que atire o primeiro copo.

Enfim, a saudade é uma daquelas questões metafísicas que dão pano pra manga, afinal, cada um sente de uma forma muito particular e peculiar. Creio que não existem duas pessoas que sintam da mesma forma, assim, é complicada essa nomenclatura dada aos sentimentos. É claro que ela é necessária, mas até aonde vai um sentimento e quando outro começa?

Bom, mas esse é um assunto para ser tratado em meio a copos de cerveja e petiscos gordurosos.


Urubú

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Já temos a prata!

Pois é, quatro anos se passaram e estamos nós aqui às véspera de mais uma Olimpíada. Muito irá se falar. Os ufanistas de plantão exaltarão nossa esplendorosa nação, vibrarão com a vinhetinha da Globo: Brasiiiiiilllll, e acreditarão que o Thiago Pereira tem chances de bater o Michael Phelps; os mais cricas dirão que isso tudo é uma besteira e que só serve pra desviar a atenção de coisas mais importantes que estão acontecendo na política e na economia (como se fosse necessário um evento desses para a nossa "isentíssima" mídia manipular as notícias e a opinião pública). No meio dos dois extremos ainda existem vários níveis de espectadores interessados, porém com visões mais realistas, e creio estar em algum desses níveis.

Antes de mais nada devo admitir que assisto muito mais televisão do que deveria. Meu gosto pelos esportes somado a TV a cabo acaba me fazendo perder horas e horas em debates inúteis e em jogos exóticos. Mas esse é um problema que tentarei resolver, após os Jogos Olímpicos é claro! O fato é que com esse péssimo hábito consigo perceber algumas manias da imprensa que irritam os espectadores um pouco mais exigentes, ou pelo menos os mais chatos como eu.

Dentre essas manias existe uma que, já há algumas edições dos jogos, me deixa louco. Como já disse anteriormente não sou nenhum ufanista, porém se dissesse que não torço pelos brasileiros estaria mentindo descaradamente. Dentro dessa torcida um comentário recorrente nas transmissões, principalmente nas da número um em audiência, me irrita profundamente, é o famoso "já temos a prata". Caramba, o galego (ou a galega) treina uma vida toda pra chegar a uma final olímpica, vai disputar o maior título que um atleta pode ganhar, e o maldito narrador me vem com essa mensagem derrotista e contábil, fazendo somas em quadro de medalhas. Não estou querendo dizer que a prata não seja uma medalha honrosa, longe desvalorizar alguém que é o segundo melhor do mundo em uma determinada modalidade, mas, já que está na final, é óbvio que o cara vai dar o sangue pra levar o título. Então ver o maluco ganhar um semi-final olímpica e o débil mental do narrador me soltar que ele já tem a prata é algo deveras irritante.

Outra coisa que irritou neste ano, no que se relaciona aos jogos de Pequim, foi a questão do Tibete. Não vou nem entrar na discussão do regime chinês e do que acontece na região do conflito, só me pergunto uma coisa: será que se os jogos fossem em solo estadonidense veríamos tantas celebridades e pessoas influentes criticando o país organizador e pregando boicote aos jogos? Creio que não. A sorte da organização, uma sorte mórbida aliás, foi as tragédias dos terremotos seguidos de inundações, acontecidas na China há alguns meses, que viraram o foco da imprensa mundial. Hipocrisias à parte, tudo indica que os jogos ocorreram normalmente.

Bom, nas próximas semanas estarei hipnotizado diante da minha TV, assistindo a maior competição esportiva do planeta, procurando todas as gafes do Galvão Bueno (o que, aliás, não me dará muito trabalho) e, é claro, torcendo pela nossa verde e amarelinha (exceto no futebol masculino). Aliás, minha hipnose em minha TV não será total, ou vocês acham que os jogos olímpicos não serão uma ótima desculpa para uma boa botecada por aí?


Bom, passa a régua e empresta um bafômetro.



Urubú.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Modas e Manias

Bom, faz tempo que não postamos nada aqui. Fim de semestre na faculdade faz nossas forças se esvaírem e a capacidade de pensar bobagens minguar.

De qualquer forma, estava aqui pensando, e conversando com meus colegas de trabalho, sobre as manias e modas de cada época. Já escrevi sobre isso anteriormente, porém em um âmbito bem mais específico.

Uma das primeiras modas que tenho lembrança é a do tabagismo. Lembro que na minha infância quase todo mundo fumava. Um cigarro na mão era como que uma marca de que o indivíduo estava antenado com as tendências modernas, enfim, se fumava era uma cara legal, e quase todos se empenhavam em demonstrar isso. Existia até uma campanha publicitária, não me lembro do quê, onde a idéia era mostrar o pai e seu convívio sadio com seu filho, e uma imagem surreal para os padrões atuais se mostrava: o pai segurando o filho no colo e com um cigarro aceso baforando nicotina na cara do garoto.

Depois veio a caça ao tabagismo e isso mudou.

Nessa mesma época em que comecei a me ter por gente, e a partir de onde minhas lembranças começam a ser mais abundantes, houve a Copa do Mundo de 86, com a figura bizarra do Araquém aloprando os países dos times que caíam diante a seleção canarinho de Zico, Sócrates, Careca e comandada pelo mestre Telê Santana. Isso seguiu até o fatídico jogo contra a França de Platini, onde lances como o pênalti batido na trave por Zico, o gol de Platini, e a bola batendo nas costas de Carlos mandaram o Brasil mais cedo de volta pra casa (naquele tempo a casa da maioria dos jogadores ainda era no Brasil). Nesse tempo o ufanismo era mais exacerbado, tentava-se fazer com que as pessoas acreditassem que ser brasileiro era a melhor coisa do mundo. O brasileiro era sempre o mocinho enquanto o estrangeiro era o vilão, principalmente no âmbito esportivo. O próprio Araquém e suas paródias desrespeitosas as outras nações demonstrava esse espírito. Bom, isso mudou, mas não tanto. Está aí Galvão Bueno e companhia que tentam manter essa tradição presente.



O tempo foi passando e chegou a adolescência e o gosto pela música. A mania no início dos anos 90, para a molecada de seus 15 anos de idade, era a gravação de fitas cassete. Gravávamos coletâneas com músicas de rádio (que raiva dava quando falava o nome da rádio no meio da música), cópias de vinis e coletâneas com músicas de nossos discos para presentear amigos ou, principalmente, aquela menininha que a gente estava afim (nesse casso uma fita cheia de baladinhas e músicas insinuantes). Perdi dias e dias diante do meu aparelho de som montando essas fitinhas.

Uma outra mania, esta um pouco mais recente, foi a do chopp colorido. Chopp de vinho (vermelho), chopp com menta (verde) e outras baboseiras inventadas para atrair as mulheres para o mundo choppeiro e cervejeiro, que estragavam o sabor do nosso amado chopp.

Bom, as manias e modas foram muitas em todas as épocas, e continuaram e continuarão se sucedendo. Nossa época não escapa disso e é rica em manias excêntricas e bizarras. Entre essas manias atuais podemos listar alguns exemplos sui generis: andar na contra-mão em rodovias movimentadas e grandes avenidas, geralmente justificada com a desculpa de escapar do pedágio (talvez essa mania seja impulsionada por outra: a da privatização das rodovias e de seus consecutivos aumentos de pedágios); defenestrar crianças, sim, é uma palavra nova no meu léxico também, e seu significado é, segundo o Houaiss, atirar (alguém ou algo) janela afora, violentamente; e a mais nova, a moda da caça ao motorista bêbado.

Essa última moda afeta diretamente os Boêmios Malditos e, se pegar, fará mudar toda uma cultura boêmia em nosso país e, principalmente, aqui em terras paulistanas. Como moro na Vila Madalena, tenho várias opções botequísticas em um raio de ação que uma caminhada leve resolve, mas a maioria das pessoas não possui tal comodidade. Talvez os bares tenham que acrescentar uns quartos para abrigar seus clientes depois da bebedeira. Alguns já estão criando serviços de entrega de bêbados a domicílio (não me informei sobre o preço do serviço, mas não deve ser nada barato). As reuniões nas casas de amigos devem aumentar, o que, conseqüentemente, vai aumentar de forma proporcional o número de reclamações nos condomínios. Enfim, sem entrar na discussão da correção, ou não, da lei e da quantia das propinas aos policiais que aumentaram de forma exponencial, essa é uma lei pra mudar uma cultura e vai dar muito pano pra manga. Merece atenção.
Chefia!!! Fecha a conta e chame um táxi!


Urubú

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Trabalhando muito?

Conheço várias pessoas que nos visitam que irão se identificar com este vídeo.

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Pensamento da semana

“Hoje fazemos pesquisas científicas em pequenos fetos, amanhã comeremos bebezinhos a pururuca com cerveja placentada.”


Urubú

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ter uma banda ou ter uma namorada?

Além de sermos viciados em conhecer os botecos "majors" e "undergrounds" de São Paulo, temos outra grande paixão: MONTAR BANDAS. Isso parece mais fácil do que as pessoas pensam, mas, se quiserem uma dica, não entrem nessa de comprar instrumentos e tentar achar alguém para montar uma banda com você. É melhor perder o tempo em achar uma namorada, pois as duas coisas são bem parecidas, tendo apenas uma valiosa diferença: com a namorada há uma grande chance de você fazer sexo!!!!!

Uma banda não é muito diferente de uma namorada, portanto o relacionamento é baseado em preferências, brigas, traições, perda de tempo e alguns momentos de alegria. Assim como é de se imaginar, pedimos até um tempo e finalmente terminamos a relação (musical) e nunca mais queremos ver os antigos membros de banda.

Nós, eu junto a meu companheiro de Blog (Urubu), já tivemos diversas bandas, umas duraram anos e outras duraram até o último gole de cerveja numa tarde de sol nas terras paulistanas. Mas chega de introduções e vamos aos fatos, comparando um namoro com uma banda:

- O começo de uma banda é maravilhoso, tudo é novidade, temos aquele friozinho na barriga nos primeiros ensaios e, depois de desligarmos o último amplificador, ficamos com a sensação de queremos mais. Isso dura só os primeiros meses!!!! Nada diferente aos primeiros meses de um namoro, ok???;

- Após alguns meses, os problemas começam a aparecer. A responsabilidade de comprar uma casa para morar ou se no caso da banda, a responsabilidade de gravar um CD Demo. Todos os componentes da banda possuem as suas próprias opiniões e teorias de como deve ser o som da banda ou a capa do CD. Até então a necessidade de tocar conseguiu unir fãs de Joy Division e de Slayer numa boa... Até então...


Os componentes da banda possuem também as características de uma garota (se você for uma garota, por favor, envie para o Blog a comparação de um garoto!!!), vamos então por parte:

- Vocalista é aquela garota que gosta da sua vida social e faz de tudo para ter a atenção com os amigos dela e com os seus, quer sempre falar na sua frente e faltamente vai te abandonar para tentar uma vida solo, realizando várias parcerias (você então fica na fossa) ou arruma uma banda com músicos melhores e mais ricos;

- Guitarrista é aquela que vai até as últimas conseqüências com a banda, não importa o quanto a relação esteja comprometida com o seu amor (a banda). Tenta de tudo e só desiste quando a banda ou o vocalista começa a paquerar outros músicos melhores que ele;

- Baixista é aquela garota que está lá, você fica com ela, curte uma noite e depois nem liga no dia seguinte. Não fará falta na sua vida e melhor, ela que irá atrás de você. O mercado indica que existem mais guitarristas do que bandas, então e só convencer um a trocar de preferência e mudar para o baixo (eu mesmo ando fazendo isso diversas vezes);

- Baterista é o seu problema, não é fácil arrumar aquela garota e, quando isso acontece, você fica perdidamente apaixonado por ela, mas ela não está nem aí com você. Por sinal, ela é problemática e pode a, qualquer momento, te abandonar, desistir para sempre da vida (neste caso, tocar) e cometer o suicídio. Muitas bandas acabam assim.


Após vários anos com a banda, você começa a querer flertar com outras bandas, pois a sua banda ficou velha e não te dá mais aquele tesão. Não há como resistir a tentação e você acaba arrumando uma outra banda, e tem o prazer quase que sado masoquista de tocar com ela na frente de seus antigos companheiros.

Bem, espero ter conseguido mudar as opiniões sobre ter uma banda. Desistam logo, pois isso é um vício e, caso você seja um baterista, ligue para nós, pois estamos precisando urgente nos apaixonar novamente.

Fecha e conta e vamos partir mesmo para um violãozinho.


3M

terça-feira, 27 de maio de 2008

Preguiça



Sou um preguiçoso.
Demais!
A preguiça é tanta
Que não sei como tomei este impulso.

Sou inércia,
Indecisão,
Lentidão,
Cansaço,
Moleza,
Sono...

Demorei dias pra pegar a caneta
E pensar...
Ah, pensar...
Mais tarde...

O papel pesa
E minhas forças, que não são muitas,
Esvaem-se,

Sou isso,
Minha essência é desse estado
Que todos desprezam, e condenam,
E por isso me odeio.


Sou feito assim.
Meio que pela metade,
Meio que sem vontade.

Sou esse mal, quase um câncer:
Esse não ser,
Esse quase ser,
Esse meio-ser... ...ou nem isso...

Sou esse jeito de meio-viver preguiçoso,
Lento e desmotivado,
Que as pessoas não se cansam de insultar.
E justamente por isso me amo.
E por isso me odeio ainda mais.


Urubú

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Manisfesto Carnívoro

Cada época tem sua moda. Os anos 60 viu a liberação sexual, os anos 70, as danças exageradas e o gosto musical duvidoso, nos 80 foram as maquiagens e os cabelos que poluíram o mundo com sua sobrecarga, no final dos 80, início dos 90, o último movimento musical autêntico foi quem ditou a moda. Enfim, algumas modas vêm pra dar mais graça ao mundo, deixar as coisas por aqui mais interessantes, enquanto outras são lançadas sobre a Terra como forma de purgar seus habitantes. Algumas tendências atuais ilustram bem esses castigos que alguns gênios da estética lançam e a população, como que por um poder hipnótico de alguma força superior, compra.

Comecemos com essa história de culto ao corpo. Hoje, a beleza das pessoas é diretamente ligada à massa muscular, no caso masculino, ou a quantidade de gordura corpórea, quando a questão envolve as mulheres. Pra se alcançar o corpo dos sonhos é necessário horas e horas de academia, puxando ferros, fazendo movimentos repetitivos e entediantes, cercado de toda a sorte de narcisistas e pessoas desinteressantes (claro que há exceções, mas são exceções). Juro que até tentei, em remotos tempos, começar a praticar musculação, mas não passei do segundo dia, era insuportável. Com a exigência de tempo que a vida moderna demanda de nós, precisamos fazer opções e, rotineiramente, essas opçõs devem ser feitas entre o corpo ou o intelecto. O corpo vem ganhando o embate.

Esse culto ao corpo é eufemisticamente chamado por seus adeptos de cuidados com a saúde. Acontece que a saúde, até onde eu entendo, envolve corpo e mente, e, com essa escolha pelo corpo em detrimento da mente, a famosa frase de Juvenal, Mens sana in corpore sano vem sendo desprezada e perdendo seu sentido. E para se ter uma mente sã neste mundo maluco, nesta cidade caótica, é preciso de um escape para nossa cabeça cansada, estressada, um dos melhores métodos é uma boa botecada com os amigos. Pois bem, e não é que há uma campanha contra o álcool procurando ganhar força com esse discursinho de saúde e não sei o que mais. Felizmente esses moralistas parecem não estar conseguindo tantas adesões assim, ao considerarmos o número de botecos, de vários estilos, que aparecem na cidade a cada dia, especialmente na Vila Madalena. É impressionante! E todos eles com gente saindo pelo ladrão, até nos dias mais incomuns.

Mas o que mais me tira do sério, e também o que me motivou a escrever essas estressadas linhas, é essa onda de vegetarianismo. Nada contra as pessoas que decidem passar suas vidas comendo mato e raízes, mas quando isso passa para um âmbito quase que religioso, como está acontecendo, aí começa a me afetar. Eles vêm como em uma pregação, querendo impôr uma doutrina. Olham para nós, comedores de carne, com desprezo, como se estivéssemos cometendo algum crime hediondo. "Não como nada que tenha um rosto": esse é um adesivo automobilístico que me desperta os sentimentos mais ambíguos. Quando estou de bom humor eu dou risada e faço chacotas mentais dentro do meu carro, já quando estou de mau humor, naquele trânsito danado típico de São Paulo, profiro alguns adjetivos simpáticos para estravazar a raiva. E o discurso de defesa da ideologia chamada "Vegan" então, dizendo-se ecológico e a favor da vida, é mais paradoxal do que qualquer discurso religioso. Se é em favor da vida, as plantas também são seres vivos, pelo menos foi o que aprendi lá na escola, tudo bem que faz muito tempo, mas não vi nos jornais, desde então, nenhuma grande descoberta científica que refutasse essa teoria. Devem viver de água e luz solar. Isso sem contar a história da soja, que substitui a necessidade de carne que o corpo tem. A mesma soja que é plantada por latifundiários inescrupulosos que estão acabando com a amazônia. É como disse recentemente o novo ministro do meio-ambiente, Carlos Minc, há alguns dias atrás: "se deixarmos, eles plantam soja até nos Andes". Isso tudo sem falar na necessidade do corpo humano pela carne, não vou entrar a fundo nesse mérito por minha falta de competência nele (não que tenha nos outros, mas neles sinto-me mais a vontade para meter o bedelho), mas me parece que o ser humano tem a necessidade de suprir o corpo com elementos presente nela, se não fosse assim, porque não somos herbívoros? Não acredito em uma evolução da espécie bem agora.

Bom, no fim das contas o que realmente interessa é o prazer. A carne dá prazer, muito prazer! Aquela picanha, assada no ponto certo, tostadinha por fora, rosadinha por dentro, com um resquício de sangue que desce com a agreção da faca ao cortar um sucelento pedaço, que será saboreado logo após um refrescante gole daquele choppinho maravilhoso, devidamente tirado, com seu colarinho cremoso. Ah, pelo amor de Krishna, disso eu nunca me privarei. E aconselho a vós, irmãos, que também não o façam. A vida é muito curta pra ser vivida com tamanhas privações desses pequenos prazeres.

Juvenal, traz a saidera!


Urubú

terça-feira, 20 de maio de 2008

Pensamento da semana

"Muitas vezes é melhor o desejar ter ao ter deveras."


Urubú

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Paulistanos: incomodamente ternos

São Paulo tem a fama de ser uma cidade fria, não só em seu clima (que nesses últimos dias tem confirmado essa máxima, mas que em boa parte do ano a contraria com dias sufocantes) como também nas relações entre as pessoas. Pois bem, utilizando-se de um olhar mais distanciado essa frieza paulistana até se confirma, mas uma pequena faísca pode esquentar essa alma que vive em uma cidade que a reprime e a mantém o tempo todo ressabiada. O mais interessante disso é, como tenho reparado, que quase sempre tal faísca é provocada pelo incômodo.

Neste último sábado fiz algo que tenho feito muito pouco: tomei um ônibus. Esse estava relativamente vazio e com alguns lugares vagos. Sentei-me naquele banco do fundo, no acento central de frente para o corredor, aquele em que ficamos sempre tensos imaginando que uma freada mais brusca do motorista nos fará ir conversar com ele, com a cara grudada no pára-brisa. Depois de acomodado olho para frente e reparo em um monitorzinho de plasma, que incrivelmente já estão deixando de ser modernos, com a imagem de um rosto feminino se maquiando e dando instruções sobre como se maquiar. Já estava pensando no poder hipnótico que essas telinhas têm, todos em silêncio compenetrados na lição de beleza (beleza bem discutível aliás, a mulher estava com a cara pintada como uma boneca, esse tipo de exagero só pode ser para incentivar o maior consumo de cosméticos), quando alguém a meu lado dirige-se a mim reclamando que achava ridícula a programação das tais telinhas e que devia-se veicular coisas mais úteis e interessantes. Concordei com o rapaz e começamos a tirar um sarro da programação da TV Buzão, assim tivemos uma viagem rápida com um papo bacana. Após algum tempo, vendo duas senhoras começarem a conversar sobre a falta de educação dos motoristas que não as deixavam atravessarem a rua, pus-me a lembrar de outras situações que vivi ou presenciei e reparei que quase sempre essas conversações são ocasionadas por fatos que incomodaram os interlocutores.

Assim sendo, pude listar alguns locais mais propícios a essas breves amizades: ônibus, trens e metrôs (especialmente os lotados e atrasados), repartições públicas (com seus funcionários sempre prontos a te ignorar), hospitais e, sobretudo, as filas de banco (principalmente quando pensamos em seus lucros anuais absurdos divulgados pela mídia). Esta solidariedade vinda da cumplicidade em um momento de incômodo parece ser a mesma que percebemos em grande escala, quando acontecem grandes tragédias e as pessoas se mobilizam para ajudar a desconhecidos. Claro que não estou aqui tratando dessas grandes desgraças, mas de pequenas situações cotidianas que incomodam e atrapalham a vida das pessoas. Nos grandes centros urbanos as pessoas estão sempre muito tensas e são educadas a desconfiarem de tudo e de todos a sua volta. O caso específico de São Paulo parece um pouco pior, essa tensão alcança níveis estratosféricos e não há grandes válvulas de escape, como a praia para o carioca, por exemplo. Para qualquer lugar onde olhemos a cidade nos agride, com um cinza bélico, um cheiro químico e uma barulheira que nem ouvimos mais, porém nos perturba sigilosamente. Isso tudo vai minando a alma paulistana e a deixando cada vez mais dura, calejada. No entanto essa dureza está sempre sujeita a um enternecimento, desse jeito paulistano, reclamão que se incomoda facilmente com qualquer coisa, claro. Afinal, esse processo de calejamento vai tirando a paciência dessa alma perturbada.

Talvez devêssemos tentar ser mais pacientes, mais compreensivos e mais amistosos em situações normais. Provavelmente isso melhoraria nossa qualidade de vida, nosso ânimo, nosso humor, enfim, nossa relação com o mundo. Mas, se fôssemos assim, não seríamos mais paulistanos. Essa é, bem ou mal, a nossa identidade, a identidade de um povo que consegue ser incomodamente terno.


Urubú

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Fabuloso Mundo de Peter Pan localizado nas Terras Tupiniquins do Faz-de-Conta

Às vezes tenho um estalo e penso em uma mesa de Bar: como um simples “ser” dos livros infantis pode capturar todos os brasileiros e levá-los ao mundo de Faz-de-conta.


No próprio Bar já vivemos nesse mundo, acreditando que os petiscos seguem todas as regras de higienização, que a cerveja está gelada, que as mulheres serão todas legais e compreensíveis quanto voltarmos para casa, que a conta estará certa, etc... etc... etc... Se neste local sagrado ocorre isso, imagine nas demais terras tupiniquins onde tudo não passa de uma fantasia (por sinal, será que é isto que faz o Brasil a terra do carnaval?). Alguns dias sob a garoa e a rotina sufocante de São Paulo eu consegui descobrir isso, vamos aos fatos (adoro listar os exemplos!!!!!):

- Na terra de Faz-de-Conta construída por Juscelino Kubistchek, onde os garotos eleitos que nunca crescem e vivem fazendo traquinagens, continuam colecionando CPIs e escândalos todos os meses. Nós, os outros garotos que não crescemos (apesar do Plano PAC do garoto Lula), deixamos de cobrar as ações necessárias para que os garotos eleitos fiquem de castigo. Você sabe o porquê disso? Para comentarmos e ficarmos apaixonados com os casos dos Pais que mataram a sua filha. Hoje o Brasil só fala disso, criou-se um romance em volta da tragédia que envolve somente os Pais, a Filha e a Polícia.
Os verdadeiros assuntos que precisam do nosso apoio são colocados de lado para fofocarmos sobre o assassinato e o mais novo lançamento da impressa feita por crianças: o “ídolo” Ronaldo (nunca achei que ele jogasse tanta bola!).

- As próprias CPIs são faz-de-contas, onde o perigoso Capitão Gancho não resolve nada e não pune ninguém. Você ainda acredita nelas?

- Onde achamos que as filas de idosos ou gestantes são necessárias (nesta hora vocês devem estar me xingando), mas se o povo criança tivesse um pouco de educação e respeito não precisaríamos de leis assim. Isso também vale para os idosos e gestantes que aproveitam a situação para terem uma vantagem sobre os outros. Quem nunca viu um idoso indo no banco pagar as contas para um amigo jovem ou uma gestante passando na sua frente com uma criança com mais de 10 anos no colo????? Peter Pan além de nos capturar, deixou todo mundo louco por uma traquinagem, a famosa brincadeira da Lei de Gerson!!!!!

- O próprio trânsito é uma imensa brincadeira de criança, com as regras embasadas na paciência e nas agilidades dos espertinhos em passar os carros a qualquer custo, nem que isso cobre a vida dele e a sua!

Bem, acredito que não temos mais solução, seremos para sempre crianças!!! Garçom passa a régua e vê quanto fica os refrigerantes (tubaínas é claro!), pois bebidas alcoólicas não são liberadas para crianças...


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