domingo, 3 de agosto de 2008

Meu tempo é hoje?

Ah, que saudade da boemia de outrora!

Saudade? Nostalgia? Mas será possível se nem vivi esse tempo?

Saudade. 1. Lembrança nostágica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las. 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido. (Dicionário Aurélio)

Tive hoje a oportunidade de rever o filme documentário Paulinho da Viola - Meu tempo é hoje e deleitar-me com essa belíssima produção cinematográfica que tem como protagonista esse personagem fantástico e lendário da música brasileira.



Meu tempo é hoje é mais do que um documentário sobre um grande artista, é antes de mais nada um exercício de reflexão sobre temas que, embora sutis, estão escrustados em nossas vidas e dos quais não podemos nos desvencilhar. Esses temas são o tempo, sua passagem e a relação que temos com ele, e a saudade, que pode ser considerado um desdobramento, ou uma conseqüência, dessa passagem do tempo.

O filme já começa com a indagação do que é a saudade, com Paulinho da Viola conversando com um livreiro no centro do Rio de Janeiro. Esse comenta com Paulinho que sente saudades de coisas que não viveu, como quando ouve canções que não são de sua época, e Paulinho o contrapõe explicando-lhe que o que sente não é saudade e que ele está confundindo os sentimentos. Desse modo o filme se desenvolve mostrando histórias e músicas do compositor, sempre contextualizando-as na relação dele com o tempo e a saudade.

O autor de Sinal Fechado diz não sentir saudades, pois as coisas do passado vivem dentro dele, no presente. Paulinho dá o exemplo da canção Carinhoso, de Pixinguinha, que, composta de 1917, atravessou o século XX e hoje, em pleno século XXI, está presente no imaginário dos brasileiros, viva assim nas memórias. E realmente Carinhoso é um fenômeno, só hoje a vi citada, mesmo que jocosamente, como não poderia deixar de ser, em uma entrevista com Dercy Gonçalves e também no filme do Paulinho, e, outro dia, em um show do violonista Yamandú Costa no Teatro Municipal de São Paulo, bastaram dois ou três acordes para a platéia reconhecê-la e cantá-la, de cabo a rabo, emocionada.



Em determinado aspecto dou razão a ele, mas existem coisas que vivi e gostaria de viver novamente, por mais que saiba que nunca seria como a primeira vez, pelo simples fato dos momentos serem únicos. Existem ainda coisas que não vivi, não tenho nem condições de saber exatamente como eram, mas tenho uma vontade arrebatadora de as ter vivido, como o tempo dessa boemia carioca de outrora, retratada em tantos sambas e histórias, vendo o tema por esse lado fico com a sensação do livreiro carioca, afinal tenho sinto essa nostalgia de um tempo não vivido. Pode parecer piegas, mas o botequeiro que nunca teve dessas pieguices que atire o primeiro copo.

Enfim, a saudade é uma daquelas questões metafísicas que dão pano pra manga, afinal, cada um sente de uma forma muito particular e peculiar. Creio que não existem duas pessoas que sintam da mesma forma, assim, é complicada essa nomenclatura dada aos sentimentos. É claro que ela é necessária, mas até aonde vai um sentimento e quando outro começa?

Bom, mas esse é um assunto para ser tratado em meio a copos de cerveja e petiscos gordurosos.


Urubú

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

quarta-feira, 30 de julho de 2008

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Já temos a prata!

Pois é, quatro anos se passaram e estamos nós aqui às véspera de mais uma Olimpíada. Muito irá se falar. Os ufanistas de plantão exaltarão nossa esplendorosa nação, vibrarão com a vinhetinha da Globo: Brasiiiiiilllll, e acreditarão que o Thiago Pereira tem chances de bater o Michael Phelps; os mais cricas dirão que isso tudo é uma besteira e que só serve pra desviar a atenção de coisas mais importantes que estão acontecendo na política e na economia (como se fosse necessário um evento desses para a nossa "isentíssima" mídia manipular as notícias e a opinião pública). No meio dos dois extremos ainda existem vários níveis de espectadores interessados, porém com visões mais realistas, e creio estar em algum desses níveis.

Antes de mais nada devo admitir que assisto muito mais televisão do que deveria. Meu gosto pelos esportes somado a TV a cabo acaba me fazendo perder horas e horas em debates inúteis e em jogos exóticos. Mas esse é um problema que tentarei resolver, após os Jogos Olímpicos é claro! O fato é que com esse péssimo hábito consigo perceber algumas manias da imprensa que irritam os espectadores um pouco mais exigentes, ou pelo menos os mais chatos como eu.

Dentre essas manias existe uma que, já há algumas edições dos jogos, me deixa louco. Como já disse anteriormente não sou nenhum ufanista, porém se dissesse que não torço pelos brasileiros estaria mentindo descaradamente. Dentro dessa torcida um comentário recorrente nas transmissões, principalmente nas da número um em audiência, me irrita profundamente, é o famoso "já temos a prata". Caramba, o galego (ou a galega) treina uma vida toda pra chegar a uma final olímpica, vai disputar o maior título que um atleta pode ganhar, e o maldito narrador me vem com essa mensagem derrotista e contábil, fazendo somas em quadro de medalhas. Não estou querendo dizer que a prata não seja uma medalha honrosa, longe desvalorizar alguém que é o segundo melhor do mundo em uma determinada modalidade, mas, já que está na final, é óbvio que o cara vai dar o sangue pra levar o título. Então ver o maluco ganhar um semi-final olímpica e o débil mental do narrador me soltar que ele já tem a prata é algo deveras irritante.

Outra coisa que irritou neste ano, no que se relaciona aos jogos de Pequim, foi a questão do Tibete. Não vou nem entrar na discussão do regime chinês e do que acontece na região do conflito, só me pergunto uma coisa: será que se os jogos fossem em solo estadonidense veríamos tantas celebridades e pessoas influentes criticando o país organizador e pregando boicote aos jogos? Creio que não. A sorte da organização, uma sorte mórbida aliás, foi as tragédias dos terremotos seguidos de inundações, acontecidas na China há alguns meses, que viraram o foco da imprensa mundial. Hipocrisias à parte, tudo indica que os jogos ocorreram normalmente.

Bom, nas próximas semanas estarei hipnotizado diante da minha TV, assistindo a maior competição esportiva do planeta, procurando todas as gafes do Galvão Bueno (o que, aliás, não me dará muito trabalho) e, é claro, torcendo pela nossa verde e amarelinha (exceto no futebol masculino). Aliás, minha hipnose em minha TV não será total, ou vocês acham que os jogos olímpicos não serão uma ótima desculpa para uma boa botecada por aí?


Bom, passa a régua e empresta um bafômetro.



Urubú.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Modas e Manias

Bom, faz tempo que não postamos nada aqui. Fim de semestre na faculdade faz nossas forças se esvaírem e a capacidade de pensar bobagens minguar.

De qualquer forma, estava aqui pensando, e conversando com meus colegas de trabalho, sobre as manias e modas de cada época. Já escrevi sobre isso anteriormente, porém em um âmbito bem mais específico.

Uma das primeiras modas que tenho lembrança é a do tabagismo. Lembro que na minha infância quase todo mundo fumava. Um cigarro na mão era como que uma marca de que o indivíduo estava antenado com as tendências modernas, enfim, se fumava era uma cara legal, e quase todos se empenhavam em demonstrar isso. Existia até uma campanha publicitária, não me lembro do quê, onde a idéia era mostrar o pai e seu convívio sadio com seu filho, e uma imagem surreal para os padrões atuais se mostrava: o pai segurando o filho no colo e com um cigarro aceso baforando nicotina na cara do garoto.

Depois veio a caça ao tabagismo e isso mudou.

Nessa mesma época em que comecei a me ter por gente, e a partir de onde minhas lembranças começam a ser mais abundantes, houve a Copa do Mundo de 86, com a figura bizarra do Araquém aloprando os países dos times que caíam diante a seleção canarinho de Zico, Sócrates, Careca e comandada pelo mestre Telê Santana. Isso seguiu até o fatídico jogo contra a França de Platini, onde lances como o pênalti batido na trave por Zico, o gol de Platini, e a bola batendo nas costas de Carlos mandaram o Brasil mais cedo de volta pra casa (naquele tempo a casa da maioria dos jogadores ainda era no Brasil). Nesse tempo o ufanismo era mais exacerbado, tentava-se fazer com que as pessoas acreditassem que ser brasileiro era a melhor coisa do mundo. O brasileiro era sempre o mocinho enquanto o estrangeiro era o vilão, principalmente no âmbito esportivo. O próprio Araquém e suas paródias desrespeitosas as outras nações demonstrava esse espírito. Bom, isso mudou, mas não tanto. Está aí Galvão Bueno e companhia que tentam manter essa tradição presente.



O tempo foi passando e chegou a adolescência e o gosto pela música. A mania no início dos anos 90, para a molecada de seus 15 anos de idade, era a gravação de fitas cassete. Gravávamos coletâneas com músicas de rádio (que raiva dava quando falava o nome da rádio no meio da música), cópias de vinis e coletâneas com músicas de nossos discos para presentear amigos ou, principalmente, aquela menininha que a gente estava afim (nesse casso uma fita cheia de baladinhas e músicas insinuantes). Perdi dias e dias diante do meu aparelho de som montando essas fitinhas.

Uma outra mania, esta um pouco mais recente, foi a do chopp colorido. Chopp de vinho (vermelho), chopp com menta (verde) e outras baboseiras inventadas para atrair as mulheres para o mundo choppeiro e cervejeiro, que estragavam o sabor do nosso amado chopp.

Bom, as manias e modas foram muitas em todas as épocas, e continuaram e continuarão se sucedendo. Nossa época não escapa disso e é rica em manias excêntricas e bizarras. Entre essas manias atuais podemos listar alguns exemplos sui generis: andar na contra-mão em rodovias movimentadas e grandes avenidas, geralmente justificada com a desculpa de escapar do pedágio (talvez essa mania seja impulsionada por outra: a da privatização das rodovias e de seus consecutivos aumentos de pedágios); defenestrar crianças, sim, é uma palavra nova no meu léxico também, e seu significado é, segundo o Houaiss, atirar (alguém ou algo) janela afora, violentamente; e a mais nova, a moda da caça ao motorista bêbado.

Essa última moda afeta diretamente os Boêmios Malditos e, se pegar, fará mudar toda uma cultura boêmia em nosso país e, principalmente, aqui em terras paulistanas. Como moro na Vila Madalena, tenho várias opções botequísticas em um raio de ação que uma caminhada leve resolve, mas a maioria das pessoas não possui tal comodidade. Talvez os bares tenham que acrescentar uns quartos para abrigar seus clientes depois da bebedeira. Alguns já estão criando serviços de entrega de bêbados a domicílio (não me informei sobre o preço do serviço, mas não deve ser nada barato). As reuniões nas casas de amigos devem aumentar, o que, conseqüentemente, vai aumentar de forma proporcional o número de reclamações nos condomínios. Enfim, sem entrar na discussão da correção, ou não, da lei e da quantia das propinas aos policiais que aumentaram de forma exponencial, essa é uma lei pra mudar uma cultura e vai dar muito pano pra manga. Merece atenção.
Chefia!!! Fecha a conta e chame um táxi!


Urubú

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Trabalhando muito?

Conheço várias pessoas que nos visitam que irão se identificar com este vídeo.

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Pensamento da semana

“Hoje fazemos pesquisas científicas em pequenos fetos, amanhã comeremos bebezinhos a pururuca com cerveja placentada.”


Urubú