



Urubú




que estava em Berlim foi logo depois de sair da estação do metrô e caminhar, ainda completamente perdido, mas já mais calmo, por ruas tranqüilas, de bairro mesmo!, da cidade. Achei que caminhava por um bairro da periferia, tamanha era a paz do lugar (depois descobriria que aquele era um bairro bem central). Bicicletas por toda a parte, pouca gente na rua, ausência quase completa de ruídos de automóveis, muitos prédios com aparência de caixotes, uns quase iguais aos outros, apenas uma leve mudança na tonalidade dos tons papéis em suas pinturas os diferenciavam. Entro em uma “banca” de jornais, que na verdade era uma lojinha, para me situar e descobrir que rumo tomar. Descubro que estava na direção correta, mas que havia desembarcado em uma estação bem distante do meu primeiro destino berlinense, o curso de alemão. Continuo caminhando em direção a rua principal (que era tão principal que verdadeiramente chama-se rua Principal – Hauptstrasse) e o número de estabelecimentos
comerciais vai aumentando. Então, quando finalmente estava na Hauptstrasse, deparei-me com algo que, apesar de nunca ter visto assim pessoalmente, foi a primeira coisa realmente berlinense e familar: o Ampelmann, que nada mais é do que o semáforo de pedestres utilizado na Alemanha Oriental. Nele as figuras simbolizam trabalhadores, com seus indefectíveis chapéus.
em pé, à beira de um balcão, rodeado de gente com pressa e, logicamente, acompanhado pela cerveja típica de Berlim, a Berliner. Com alguma sorte um alemão, velhinho e menos carrancudo, lhe olha e solta um “Guten Appetit”- o que aconteceu comigo em meu Currywurst inaugural.
poderia me perder. Claro que depois de estranhar muito a ausência de catracas (desce-se a escadaria e se está na plataforma, simples assim, “se quiser” paga) e o método de abertura das portas. Não, elas não abrem automaticamente! Mas isso é algo que não se demora muito a descobrir, depois de um pequeno susto e uma alemãzinha impaciente entrando bruscamente em sua frente a apertar o bendito botãozinho do “Abra-te Sézamo”.Bom, iniciando a série de mentiras em meus voos pela terra de Goethe e Beckenbauer, vamos lá:
"Caralho, que porra de língua esse povo está falando?” Esse foi um dos meus primeiros pensamentos chegando a Berlim depois de 400 mil horas de vôo sentado em meio metro quadrado de cadeira. Não entendia nada do que falavam a
meu redor. Parecia que em meus 2 anos de aulas de alemão (ta bom, levados não exatamente com suprema aplicação) havia aprendido uma outra língua que não aquela. Foi algo bem estranho, pois na escala em Madri ainda me sentia linguisticamente muito confortável, e no vôo de Madri a Berlim foi o mesmo. Mas aquele aeroporto foi um choque.
Primeira dificuldade: sair do aeroporto. Após dar uma volta completa em Tegel, o aeroporto redondo de Berlim (pelamor, não comparar com a Skol), não conseguia sair dali de jeito nenhum. Nenhuma cabine de informações, nenhuma cara simpática com jeito de “me pergunte”, nenhuma vontade minha de me comunicar em inglês e milhares de portões automáticos que davam para uma abertura interna do círculo da plataforma, onde só circulavam táxis que saíam do aeroporto por um túnel. Mas que diabo, não quero pegar um táxi! Depois de muitos minutos rodando com 12 quilos nas costas encontrei um posto de informações sobre transporte público. Mandei meu alemão chucrútico e o cara que entregou um papel com o que eu deveria fazer para chegar onde queria. Não que eu soubesse ao certo aonde queria ir, mas sabia que tinha de chegar em algum trem ou metrô. Ta certo, não entendi grandes coisas naquele papel, mas sabia que tinha de pegar um ônibus até uma linha de metrô, U7. Saio do aeroporto e o que vejo na placa do ônibus parado? U7. Peguei-o e tomei meu primeiro rumo em terras germânicas.
Fui direto ao meu curso de língua alemã, sem ao menos saber onde ficar. Após a aula achei um Albergue, me instalei muito bem, após uma negociação de um quarto sozinho pelo preço do quarto coletivo, e fui ao centro começar minha jornada berlinense. Sem saber direito aonde ir e sem muito tempo ainda naquele dia, parei em um bar à beira do Spree e finalmente pude saborear minha primeira cerveja no país em que iria aprender o que pode realmente ser chamado de cerveja.
Urubú