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terça-feira, 11 de maio de 2010

Viagem ao centro da cerva

Há algum tempo atrás estava postando algumas experiências de um caipira urbano na Zorópa. Por diversas circunstâncias da vida acabei interrompendo a sequência de relatos e deixei de comentar sobre um dos aspectos mais importantes (se não o mais) para o boêmio maldito: a cerveja. Como nosso amigo 3M está prestes a embarcar para o Velho Mundo (se o vulcão deixar) e já vai fazer um ano que fui, bateu aquela saudade e inspirei-me a escrever o que faltou. Aí vai!

Meu primeiro gole do líquido sagrado no país que o trata com devoção foi na primeira tarde fora de terras tupiniquins. Andando meio sem rumo pela região central de Berlim vejo um bar/restaurante, à beira do rio Spree, com grandes guarda-sóis da Franziskaner. Essa é uma cerveja que eu já conhecia daqui e venerava, assim resolvi sentar e mandar ver na cerveja nacional. Aquele momento foi sensacional, não parecia estar realmente acontecendo. Memorável!

Passado esse instante de deslumbramento fui a caça do sabor mais berlinense, uma vez que a Franziskaner é típica do sul do país. Conversando com alguns locais descobri que uma cerveja bem tradicional da região era a Jever. Nem preciso dizer que fui à prova. E foi a primeira surpresa cervejística da viagem! Estava esperando por cervejas como as de trigo do sul e variações não muito distantes. A Jever é completamente diferente, com um sabor predominantemente amargo. A princípio tal sabor não me agradou não, mas com o passar dos dias aprendi a apreciar este amargor típico de Berlim, como sugerem os outdoors de outra cerveja do gênero, a Berliner, "So schmackt Berlin" (algo como "Esse é o sabor de Berlim"). Outras cervejas muito tomadas na capital alemã são a Heineken e a Becks (a campeão de audiência!). Uma coisa engraçada é que nas ruas eles vendem a "long neck" de 500ml, pra tomar no gargalo, é difícil achar de 300ml, mais comum por aqui.

Em uma passagem relâmpago por Bruxelas não tive a oportunidade de provar uma das famosas cervejas locais. Fui tomar uma belga somente em Paris, mas acabei não marcando o nome e ficou sem registro, na mesma noite provei uma francesa muito boa, a 1664.

Antes de voltar a terra de Goethe tive o prazer de conhecer uma região magnífica, a famosa e controversa Alsácia. Em meio a cidadezinhas lindas ainda em território francês, com muitas cervejas de fabricação local, provei uma delas, simplesmente a melhor cerveja de já tocou minhas papilas gustativas: Kaysers Bier. Nem me arrisco a descrevâ-la aqui, pois ela tem um sabor indescritível, só posso dizer que ela é feita de trigo, pra dar uma idéia do que tomei. Se estiver pela Alsácia algum dia, pelamordedeus, não deixe de passar em Kaysersberg e tomar uma Kaysers Bier (por mais irônico que o nome pareça).

De volta à Alemanha, e hospedado do mesmo quarteirão da fábrica da Paulaner em Munique (era o destino), pude provar várias cervejas bávaras e conhecer dois lugares espetaculares, praticamente a Meca e a Medina dos devotos da cerveja: Biergarten e Hofbrauhaus. O primeiro é algo como uma grande praça de alimentação a céu aberto, dentro de um parque enorme, o Englisch Garten, que recebe milhares de pessoas em fins de semana ensolarados (como foi o em que estive lá). Já a Hofbrauhaus é só a cervejaria mais antiga do mundo, onde o pessoal bebe extraordinariamente bem, come como um germânico, sente-se em uma taberna medieval e ainda pode cantar a música oficial do bêbado alemão, "Ein Prosit", a plenos pulmões.

Como podem ver, nem bebi e comi muito por lá...

3M, meu garoto, aproveite muito! Você merece!


Urubú

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Berlim: Primeiro choque/chopp

Bom, iniciando a série de mentiras em meus voos pela terra de Goethe e Beckenbauer, vamos lá:

"Caralho, que porra de língua esse povo está falando?” Esse foi um dos meus primeiros pensamentos chegando a Berlim depois de 400 mil horas de vôo sentado em meio metro quadrado de cadeira. Não entendia nada do que falavam a

meu redor. Parecia que em meus 2 anos de aulas de alemão (ta bom, levados não exatamente com suprema aplicação) havia aprendido uma outra língua que não aquela. Foi algo bem estranho, pois na escala em Madri ainda me sentia linguisticamente muito confortável, e no vôo de Madri a Berlim foi o mesmo. Mas aquele aeroporto foi um choque.

Primeira dificuldade: sair do aeroporto. Após dar uma volta completa em Tegel, o aeroporto redondo de Berlim (pelamor, não comparar com a Skol), não conseguia sair dali de jeito nenhum. Nenhuma cabine de informações, nenhuma cara simpática com jeito de “me pergunte”, nenhuma vontade minha de me comunicar em inglês e milhares de portões automáticos que davam para uma abertura interna do círculo da plataforma, onde só circulavam táxis que saíam do aeroporto por um túnel. Mas que diabo, não quero pegar um táxi! Depois de muitos minutos rodando com 12 quilos nas costas encontrei um posto de informações sobre transporte público. Mandei meu alemão chucrútico e o cara que entregou um papel com o que eu deveria fazer para chegar onde queria. Não que eu soubesse ao certo aonde queria ir, mas sabia que tinha de chegar em algum trem ou metrô. Ta certo, não entendi grandes coisas naquele papel, mas sabia que tinha de pegar um ônibus até uma linha de metrô, U7. Saio do aeroporto e o que vejo na placa do ônibus parado? U7. Peguei-o e tomei meu primeiro rumo em terras germânicas.

Fui direto ao meu curso de língua alemã, sem ao menos saber onde ficar. Após a aula achei um Albergue, me instalei muito bem, após uma negociação de um quarto sozinho pelo preço do quarto coletivo, e fui ao centro começar minha jornada berlinense. Sem saber direito aonde ir e sem muito tempo ainda naquele dia, parei em um bar à beira do Spree e finalmente pude saborear minha primeira cerveja no país em que iria aprender o que pode realmente ser chamado de cerveja.


Urubú